Sintomas físicos da ansiedade

Você sabe por que a ansiedade causa tantos sintomas físicos? É sobre isso que nós vamos falar no nosso post de hoje.

Muitos familiares procuram psicólogos perguntando “ela fala que sente o coração batendo acelerado, que está sentindo palpitação, que sua de verdade… Esses sintomas são reais ou é uma coisa criada pela cabeça dela?”

A primeira coisa que é importante a gente dizer sobre isso é que, sim, os sintomas físicos da ansiedade são reais!

A ansiedade tem alguns sintomas psíquicos/cognitivos (de pensamentos, pessimistas, desordenados, de medo…), sintomas físicos (que é sobre o que vamos falar hoje) e tem sintomas comportamentais (que é uma inquietude, vontade de sair correndo, taquilalia – que é uma fala acelerada…) .

Ansiedade e sintomas físicos

A primeira coisa que vamos analisar é por que a ansiedade causa sintomas físicos? Então, veremos um pouco sobre o nosso sistema nervoso autônomo.

Nós temos um sistema nervoso autônomo, que é responsável por controlar os nossos órgãos internos e controlar também as nossas reações de medo diante de uma situação ameaçadora. Portanto, diante de uma situação ameaçadora, o sistema nervoso autônomo liga o simpático que gera sintomas de alerta, como se o agente estivesse realmente em uma situação de perigo. Desta forma, ele fica mais alerta, sobressaltado, com o coração acelerado. É como se o corpo se preparasse para uma possível que a situação de perigo.

Mecanismo autônomo

Esse é um mecanismo, como foi dito, autônomo. Logo, não temos controle sobre isso. E o que tem acontecido ultimamente é que o sistema psíquico de um paciente que sofre de ansiedade tem interpretado cada vez mais situações como sendo situações ameaçadoras.

Enquanto nos primórdios da humanidade as situações ameaçadoras eram estar de frente com um predador, uma situação de catástrofe, de chuva intensa ou algo do tipo, atualmente, situações mais amenas, como, por exemplo, uma prova, um encontro amoroso, uma conversa com um professor ou qualquer outra figura de autoridade, já há a tendência de interpretar como situações ameaçadoras. Nesses momentos, é disparada automaticamente uma mensagem pelo sistema nervoso, que ativa o simpático – ativa reações de fuga ou luta.

Sintomas mais comuns da ansiedade

Assim, os sintomas mais comuns diante dessa sensação de ameaça ou algum tipo de perigo são: taquicardia, sudorese e rubor facial, palpitação, sensação de sufocamento, como se estivesse faltando ar, tremores ou trepidações, a sensação de desrealização ou despersonalização – como se as coisas não fossem reais ou como se a realidade estivesse diferente do padrão (parecida com a sensação depois de andar muito tempo na esteira da academia, quando parece estar pisando em nuvens).

Cada um reage de uma forma e alguns pacientes relatam também como se as coisas estivessem se movimentando e sob o efeito das luzes estroboscópicas (que piscam muito rapidamente e deixam as coisas como aparência mais mecânica. Outros relatam percepções como se fossem fotos borradas. A manifestação pode ser diferente em cada indivíduo.

Para contrapor esses sintomas, o corpo humano possui mecanismos para ativá o antagônico do sistema nervoso simpático, que é o parassimpático. Ele vai regular as emoções, regular o ritmo de respiração e o ritmo cardíaco. Por isso, é muito importante haver o máximo de controle possível para ativar o parassimpático. E como isso pode ser feito?

Como ativar o sistema nervoso parassimpático?

Vamos falar de duas formas que podem ser utilizadas para ativar o parassimpático de uma forma mais rápida, para que o paciente saia do estado de ansiedade.

A primeira delas respiração. Já percebeu que, quando estamos diante de uma situação ameaçadora (por exemplo, durante a direção de um veículo, um outro veículo fecha o nosso ou quando levamos um susto), a nossa primeira reação é uma mudança brusca na respiração. É inalado muito oxigênio e ocorrem as trocas gasosas. Neste momento, o corpo fica com muito gás carbônico. Com isso, ativa o simpático (as reações de fuga ou luta). Logo, também pode ser através da respiração que pode ocorrer a ativação do parassimpático.

Para isso, existem técnicas de relaxamento e respiração, ensinando como respirar de uma forma ritmada, usando o diafragma, para que o parassimpático seja ativado e o paciente saia daquela reação de sintoma físico, de um quadro de ansiedade.

Outra forma de ativar o parassimpático

Um outro mecanismo que pode ser utilizado para ativar o parassimpático é uma questão cognitiva. Quando estamos diante de um quadro ameaçador, de ansiedade, é muito comum termos pensamentos retroalimentadores da ansiedade. Nessa hora, começamos a produzir pensamentos disfuncionais, que acabam retroalimentando a ansiedade. São pensamentos do tipo “eu não dou conta”, “eu estou sozinho”, “eu não consigo”, “eu vou morrer”, “eu vou enlouquecer”, “eu vou perder o controle”… São pensamentos que são gerados pela ansiedade e que, por sua vez, aumentam ainda mais a ansiedade.

Uma das técnicas que podem quebrar esse ciclo de pensamentos disfuncionais é a chamada Técnica da Distração, onde o paciente deve, voluntariamente, voltar o processamento mental para alguma atividade que exige um esforço intermediário (no mínimo) e acaba distraindo os pensamentos daqueles disfuncionais, que estavam gerando a ansiedade.

Vejamos um exemplo

Você está dirigindo. Portanto, os pensamentos disfuncionais não costumam dar muitas brechas. Neste caso, uma atividade seria contar de 4 em 4 (4, 8, 12, 16…), ou de 7 em 7, que seria um pouco mais exigente. Há o caso de um sambista que adotou um mecanismo de lembrar o nome das escolas de samba, para quando ele estivar no quadro de ansiedade. Um outro caso é o de uma estudante de medicina, que fazia aulas de anatomia e lembrava da maior quantidade possível dos ossos das mãos, dos membros superiores ou dos membros inferiores.

O tipo de distração é bastante pessoal e cada um descobre por si mesmo, após analisar seu contexto e experiências de vida, qual a melhor forma de responder a essas situações de maneira mais racional.

A ansiedade atrapalha muito a vida de um indivíduo e pode trazer muitos prejuízos de vários tipos. Por isso, caso passe por este problema, não hesite em procurar ajuda. A ansiedade tem tratamento.

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